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Este Blog se destina a colocar discussões diversificadas de diversos segmentos, como cultura e lazer e, ainda, dar auxílio a vestibulandos com conteúdos pertinentes aos vestibulares brasileiros.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Deus conosco!

Embora saibamos o quanto Deus nos ama e o quanto Seu amor e grande para com todos, entender a completude deste amor não é fácil, nem nunca será. Contudo, ao vermos atitudes que se aproximem, conseguimos compreender parcialmente o quanto Deus nos ama. Não quero escrever um livro para que você consiga mensurar o amor de Deus por todos nós, até porque Seu amor é grande o suficiente para nos motivar, lavar, viver...

E, vendo o vídeo abaixo, não houve como não ver como Deus manifesta Seu amor por todos nós. Quando crianças, conseguimos entender nossos pais, crescemos, mas nosso relacionamento com eles acabam sendo comprometidos por outros fatores. E isso aconteceu quando Deus criou o Homem. Adão nasceu, Deus criou Eva, tudo estava na mais perfeita paz. Porém, um acontecimento mudaria tudo... E, de repente, o Homem passa a não compreender mais aquilo que Deus tinha para dar a todos. Em seguida, enquanto Deus fala com o Homem, seus ouvidos não conseguem entender. Há a revolta. E, num momento de desespero, quando tudo está caótico, vemos que nosso desespero cai por terra. Não porque conseguimos ver a solução por nossos méritos, mas porque enxergamos o quanto Ele nos ama. Se fizermos uma analogia com esse vídeo, conseguimos ver o sacrifício de Cristo no Calvário. Abra seus olhos e veja (Deus conosco sempre esta!). O Pai doou o Seu precioso sangue por você!!!

 

terça-feira, 9 de abril de 2013

NAS MÃOS DE DEUS

NAS MÃOS DE DEUS
Publicado em 05.04.2013 - Benditos sois Vós
Igor Dias

Existem momentos em que estamos bem, tudo flui. Sabemos que as mãos de Deus estão sobre nossas vidas, pois tudo vai bem. Contudo, nem sempre isto é sinal de que estamos realmente nas mãos de Deus.

Estar protegido por Deus não quer dizer, necessariamente, que estaremos protegidos de tudo e que, por isso, não teremos problemas a enfrentar. Muito pelo contrário, teremos momentos de aflição. E Deus, em Sua infinita Justiça, deixa isto bem claro quando diz que no mundo passaríamos por aflições ("No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo". João 16.33).

Existem pessoas que se firmam na premissa de que Deus, sendo nosso Pastor, em nada teremos falta. Realmente, não teremos falta... Teremos momento de lutas, de alegrias, de sofrimento... Contudo, Ele nos fará andar em pastos verdejantes. Estar com Deus é passar por lutas sim, mas é, em meio a todas elas, ter PAZ.

Se estamos nas mãos de Deus, por que questionamos tanto a Sua vontade? Por que tentamos entender o motivo das coisas sendo que não nos é necessário entender, mas vivenciar o sobrenatural. Se queremos viver o sobrenatural de Deus em nossas vidas, temos de entender o seguinte: questionamentos, dúvidas e medos devem ser deixados para trás. Viver nas mãos de Deus compreende mais do que andar em pastos verdejantes com o Bom Pastor, mas passar pelo vale árido, sendo por Deus cuidado, passando pelas mazelas e por dificuldades crendo.

Davi, em plena guerra, vivencia o estar nas mãos de Deus: "Quando me deito, durmo em paz, pois só tu, ó SENHOR, me fazes viver em segurança" - Salmos 4.7.

Assim, se você está passando por momentos difíceis, não murmure, não questione. Ore, fale com Deus o que está em seu coração. Permita-se viver o sobrenatural de Deus. Afinal, para vivermos isso, temos de passar pelo vale árido para que Ele derrame seus mananciais em nossas vidas.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

GRATIDÃO

GRATIDÃOPublicado em 22.03.2013 - Benditos Sois Vós
por Igor Dias

Estávamos eu e alguns amigos da faculdade conversando outro dia sobre alguns assuntos, entre eles, a gratidão. Fico pensando o quão ingratos somos a Deus! E põe ingratos nisto!!!

Deus sempre nos surpreende com bênçãos sem medida, mas sempre estamos a murmurar. Foi assim no antigo Egito, quando Deus livrou Israel das poderosas mãos de Faraó. Enquanto marchavam à terra prometida, Israel murmurava, quando Deus fez descer o Maná, o povo murmurou. E, mesmo hoje, vemos isso no meio do povo de Deus.

Estamos tão cegos pela nossa correria diária, que nos esquecemos de agradecê-lo por TUDO o que Ele tem feito em nossas vidas. Realmente, não tem sido fácil o caminha, mas Cristo, em Sua sabedoria sem igual, nos diz que teríamos momentos de aflição. Ele, sendo Deus, foi provado com a maior das dores! Por que seria diferente comigo e com você, não é mesmo?


E, nesta conversa, paramos e discutimos sobre algumas coisas que estão atreladas a este tema. Veja:

ANSIEDADE
Estamos movidos por nossa ansiedade. Esquecemos de tantas coisas movidos por nossos anseios urgentes. E, na maioria das vezes, não são coisas necessárias, mas tão insignificantes que, não se demora muito, lançamos fora e pedimos novamente a Deus. O remédio pra isto, está em Filipenses 4.6, veja: "Não se preocupem com nada, mas em todas as orações peçam a Deus o que vocês precisam e orem sempre com o coração agradecido".

Vença sua ansiedade com um coração grato a Deus. E não é um us.coração grato pelo que se conquistou, mas pelas promessas de Deus. Ainda que demorem a se cumprir, Deus realiza o desejo de nossos corações. Contudo, por termos a visão limitada, não enxergamos nada além do nosso nariz. Nem sempre o tempo que queremos é o tempo certo. E, ainda que tenhamos a concretização, se ela for fora do tempo oportuno, não será bem aproveitada, sendo deixada 'de canto'.

Por isto, te convido, hoje, a pensar nesta questão. Será que temos orado a Deus com um coração agradecido ou apenas movidos pelo que temos a receber? Desejamos um avivamento, mas temos de pagar o preço. Este preço é o de se submeter àquilo que Deus quer e não aos nossos anseios. Assim, também, devemos deixar a ansiedade de lado e viver o que Deus nos reservou hoje.

Deus conhece a tua necessidade e ainda nos orienta quanto a isso, para que vivamos no centro de Sua vontade, buscando Sua presença, não andando ansiosos, vivendo pela fé (Mateus 6:33): "Portanto, não fiquem preocupados, perguntando: 'Onde é que vamos arranjar comida?' ou 'Onde é que vamos arranjar bebida?' ou 'Onde é que vamos arranjar roupas?'". Aqui, vemos o zelo de Deus para com todos os Seus.

Você, neste momento, deve estar se perguntando: "Igor, o que isso tem a ver com gratidão?". Eu te respondo que tudo!

Se somos gratos a Deus, por que vamos questionar Sua vontade? Aí, entramos num outro mérito que quero discutir com você mais um pouco (prometo ser breve!).

GRATIDÃO x QUESTIONAMENTO

Estamos, por sermos ansiosos demais, ainda mais em nosso tempo, constantemente questionando a Deus do porquê de determinadas situações. Porém, existem duas maneiras de se questionar a Deus: a maneira correta e a errada.

Comumente, pendemos para a forma errada, entristecendo o coração de Deus. Questionamos com ira em nosso coração, movidos pela dúvida e pelo medo de que as promessas não se cumprirão. Não queremos carregar a sensação de fracasso. Mas, pelo MEDO e por sua dor, queremos colocar Deus "no paredão".

Apesar disto, há ainda uma outra maneira de se questionar a Deus. Isso se consegue facilmente sem que incorramos em desagradar ou ferir Seu coração. É quando entendemos que mesmo diante da dor, Deus tem um propósito a cumprir em nossas vidas. Afinal, Sua Palavra não volta vazia, mas completa o fim a que se destinou. Neste momento, questionamos a Deus para tentar compreender o que Ele quer que aprendamos, qual a Sua vontade, qual a direção que devemos, como servos obedientes, seguir.

Embora angustiante para Daniel, Sadraque, Mesaque, Abede-Nego, Elias e tantos outros, os momentos de dor foram cruciais para Deus se revelar não apenas a eles, mas a todos os povos. Assim, ainda que tenhamos problemas, Deus quer transformar a dor em algo que traga benefício às nossas vidas, aos nossos entes queridos, à igreja. Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas, lembra-se disto? Se assim o for, por que, então, tentamos questionar aquilo que não temos poder ou visão que consiga vislumbrar? Deus é o Senhor do tempo. E um velho dito popular diz que o tempo cura tudo. Não é o tempo, mas o Senhor do tempo que cura tudo.

Assim, convido você nesta noite a orar com gratidão. Se você tem medo, confia no Senhor. Entregue seus medos e angústias. Não duvide, ainda que o tempo passe, você conseguirá vislumbrar aquilo que Deus te reservou. Daniel confiou em Deus e saiu livre da cova dos leões; Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram lançados numa fornalha em que os guardas que estavam à porta foram queimados vivos, mas eles, dentro da fornalha, não tiverem nem seus cabelos chamuscados. E aí, tá esperando o quê pra ser grato a Deus pelo simples fato de ser grato? O convite tá feito... Topa o desafio?

Abraços, pessoal...

domingo, 7 de abril de 2013

HONRA

HONRA
Publicado em 15.03.2013 - Benditos Sois Vós
por Igor Dias

Lendo um texto hoje (segunda-feira, 11), algo muito me chamou a atenção. Contudo, não me reportarei, neste momento a ele. Guardemos para nossa reflexão combinada ao seguinte versículo bíblico: Portanto, paguem ao governo o que é devido. Paguem todos os seus impostos e respeitem e honrem todas as autoridades (Romanos 13.7). Basicamente, este excerto (trecho) nos traz o sentido de que devemos honrar nossos compromissos e àqueles a quem devemos obediência. Contudo, a questão de honrar autoridades não está limitado apenas a obedecer o regimento interno de determinado local, às leis de determinados países. Esse senso de honra é muito mais amplo e mais abrangente do que podemos imaginar. Mas, assim sendo, o que é honra?

1. princípio ético que leva alguém a ter uma conduta proba, virtuosa, corajosa, e que lhe permite gozar de bom conceito junto à sociedade; 2. o sentimento da própria dignidade;3. consideração devida a uma pessoa que se distingue por seus dotes intelectuais, artísticos, morais; privilégio; 4. dignidade conferida pela observância de certos princípios socialmente estipulados; 4.1 virtuosidade, castidade sexual da mulher; 5. grandeza, esplendor, glória; 6. atitude de consideração, sentimento ou marca de deferência; 7. marca de distinção; homenagem; 8. função ou lugar de destaque numa escala hierárquica; 9. homenagem que se presta a uma ou mais divindades, a uma pessoa ou conjunto de pessoas, a um acontecimento, a uma qualidade ou um sentimento.
(Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa – online, disponível em http://houaiss.uol.com.br/)

Honra, assim, pode ser algo que, num primeiro momento pode ser confundido com glória. E, quanto a isso, Deus é categórico, pois não divide Sua glória com ninguém. Contudo, quando Ele diz que devemos honrar a quem tem honra, Ele não está dizendo que devemos venerar, adorar outras pessoas, até porque isso configura idolatria. Mas o que, então, isso quer dizer?

Deus nos ensina, em todo o tempo, o valor da honra. Precisamos, como Seus servos, ter a noção de que isso está no coração de Deus. Quando ajudamos alguém com uma palavra de amizade, quando damos auxílio ao necessitado, estamos cumprindo o IDE de Cristo por AÇÕES. Práticas corriqueiras evangelísticas se dão por meio do exemplo que damos e do legado que deixamos. Honrar é respeitar, considerar o outro, coisas que estão muito além do sentimento egocêntrico que é inerente a cada Homem. De fato, é bom ser reconhecido por nossos méritos, mas isso se torna problema quando deixamos de dar a glória devida a Deus. Quando a honraria vem até mim, devo entregá-la a Deus, de forma que eu diminua e Cristo cresça.

Quem me vê, num primeiro momento, acha que sou o chato, que quero centralizar tudo em mim, pois quero atenção. Mas, quem realmente me conhece sabe que em mim isso não é verdade. Sempre busquei me esconder, em tudo, mas minhas ações sempre me deixaram, de alguma maneira, em alguma evidência. Em meu coração, no mais íntimo, meu desejo em HONRAR meus irmãos é tão grande, que acabo me envolvendo de diversas maneiras em diversas atividades. Não faço isso porque quero ser honrado, mas pelo simples fato de HONRAR. Isso porque a consideração e carinho que tenho por esses amigos são tão grandes, que reconheço sua liderança, reconheço sua importância dentro do contexto em que estamos vivenciando e quero que ele (ou ela) seja (sejam) grandemente abençoado(s). Isso é honrar. Querer que a pessoa que temos ao nosso lado seja auxiliada naquilo que ela mais necessita, pois reconhecemos nela a virtude de Deus, os dons de que Deus tem pra ela.

Quanto ao texto que li, deixarei apenas um trecho para que você possa entender… Este é um fato que ocorreu numa determinada empresa (não se foi mencionado o nome desta empresa e nem mesmo o nome dos envolvidos). Conta a história que um rapaz chegou a uma entrevista de promoção de emprego. O gerente, vendo seu currículo, seu desempenho na faculdade, começou a questioná-lo sobre alguns aspectos da vida pessoal e acadêmica deste aspirante a gerente. Vendo que o garoto tinha as mãos lisas, mesmo sendo de origem humilde, esse entrevistador pede que ele, o aspirante ao cargo de gerente, fosse até sua mãe e lavasse suas mãos. O funcionário, querendo entender e querendo tal promoção, vai e segue a orientação de seu entrevistador. Ao chegar a casa, este jovem pede à sua mãe que o deixe lavar suas mãos. A mãe, intrigada e sem nada entender, permite que ele comece a fazer isso. Quando pega nas mãos de sua mãe, o rapaz vê uma mão calejada, com muitas rugas e diversas contusões pelas roupas que ela lavou ao longo de sua vida para dar uma boa educação ao filho. E, em cada momento, a lágrima escorria dos olhos deste filho que, finalmente, percebeu o quão árduo foi o trabalho de sua mãe. “Esta era a primeira vez que o jovem percebia que este par de mãos que lavavam roupa todo o dia tinham-lhe pago as mensalidades.
As contusões nas mãos da mãe eram o preço a pagar pela sua graduação, excelência acadêmica e o seu futuro.
Após acabar de limpar as mãos da mãe, o jovem silenciosamente lavou as restantes roupas pela sua mãe”. Depois disto, mãe e filho tiveram uma longa conversa.

Na manhã seguinte, o jovem foi ao gabinete do diretor, o diretor perguntou, "diz-me, o que fizeste e aprendeste ontem em tua casa?" O jovem respondeu, "Eu limpei as mãos da minha mãe, e ainda acabei de lavar as roupas que sobraram. O diretor pediu, "Por favor diz-me o que sentiste." O jovem disse "Primeiro, agora sei o que é dar valor. Sem a minha mãe, não haveria um eu com sucesso hoje. Segundo, ao trabalhar e ajudar a minha mãe, só agora percebi a dificuldade e dureza que é ter algo pronto. Em terceiro, agora aprecio a importância e valor de uma relação familiar." O diretor disse, "Isto é o que eu procuro para um gerente. Eu quero recrutar alguém que saiba apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conheça o sofrimento dos outros para terem as coisas feitas, e uma pessoa que não coloque o dinheiro como o seu único objetivo na vida. Estás contratado."

A Palavra nos diz que devemos honrar a quem tem honra. Quem, nesta história, teve honra? De fato, este jovem deve ter feito diversas coisas que desonrasse a sua mãe. Contudo, seu esforço para dar a melhor condição ao filho, foi recompensado quando este filho cresceu e parou para ver o que realmente era importante. Afinal, a juventude não nos permite enxergar muitas coisas. O próprio rei Salomão nos mostra isso ao dizer que tudo é ilusão. Ser popular, ser rico, ser o melhor… Isso é ilusão! E, quando damos valor às coisas que realmente valem à pena, temos nossos olhos e ouvidos abertos para HONRAR. E, nisto, adoramos a Deus, pois RECONHECEMOS o valor das pessoas que nos cercam, a importância de cada membro familiar, o sofrimento e a dor que o outro enfrenta… É justamente por isto que melhor é dar do que receber.

"Eu quero recrutar alguém que saiba apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conheça o sofrimento dos outros para terem as coisas feitas, e uma pessoa que não coloque o dinheiro como o seu único objetivo na vida". Deus quer revelar Sua glória às pessoas que consigam apreciar os outros, que consigam se colocar no lugar do outro, que consiga vivenciar a dor do outro. Isso, além de honrar, é ser empático. E, nisto, é que há a verdadeira adoração (João 4), pois não há honras que possam permear o coração desta pessoa, pois ela não permite que o ego seja primado; seu anseio está em HONRAR e não em ser honrado.

E você, o que deseja fazer? Receber as honras ou honrar? Meu desejo é adorar, portanto, quero honrar.

sábado, 6 de abril de 2013

INTERligados?

INTERligagos?
Publicado em 01.03.2013 - Benditos Sois Vós
por Igor Dias

É interessante como estamos conectados com o mundo. Todos os dias, temos uma infinidade de dispositivos que nos permitem acessar informações de todos os locais do mundo, aonde quer que estejamos. O mundo se apresenta a todos nós de diversas maneiras, e muitas dessas vezes de forma extremamente atraente, que temos nos esquecido de coisas primordiais, entre elas o contato com o mundoreal. Agora, tudo é virtual.

E sabe o que é mais interessante nisto? Estamos cada vez mais ansiosos, cada vez mais ligados no mundo virtual, cada vez mais distantes da presença de Deus, cada vez menos se parecendo com o exemplo que Deus quer que sejamos (Mateus 5.13 – “luz do mundo e sal da terra”). Estamos cada vez mais interligados com o mundo do que com Deus. E isso é um caminho desastroso para a humanidade. Se nós, que somos a luz para este mundo tenebroso, deixamos de mostrar a Luz, que é Cristo (João 8.12: De novo Jesus começou a falar com eles e disse: — Eu sou a luz do mundo; quem me segue nunca andará na escuridão, mas terá a luz da vida), certamente haverá sofrer e ranger de dentes, conforme diz o texto bíblico.

Assim, uma dica importante… Para que não andemos ansiosos, para que não nos desviemos do caminho a ser seguido, uma ação simples deve ser praticada, e ela nos vem descrita em Romanos 12. “Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele.”

Não estou dizendo, aqui, que a gente não possa entrar na Internet, nos comunicar com nossos amigos pelo Facebook ou qualquer outra rede social. O que estou dizendo é que devemos ficar atentos a tudo o que nos é oferecido. Devemos ser sábios e, além, ter o discernimento de Deus em nossas ações (TODAS ELAS). Afinal, para sermos luz, devemos ter a Luz dentro de nós para iluminar os locais em que as trevas imperam. Para isso, fica minha pergunta: você está interligado com o mundo ou com Deus? Afinal, só podemos servir a um senhor: ou a Deus ou a Satanás, conforme está escrito lá em Mateus 6:24a: “Um escravo não pode servir a dois donos ao mesmo tempo, pois vai rejeitar um e preferir o outro”. E aí, interligado ou INTERLIGADO?

Afinal, "onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês" - Lucas 12.34. Interligue-se no trono da graça de Deus...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Vento forte

Diversas vezes, ao longo de nossas vidas, passamos por momentos muito bons, em que temos o sossego que sempre almejamos; porém, há muitos momentos recheados por nuvens tempestuosas. Isso mesmo, o sol deixa de ser visível e só se pode ver as negras nuvens da tempestade. E é justamente nestes momentos que estamos mais sucetiveis ao engano, pois nos sensibilizamos e qualquer vento nos desmonta.

Apesar disto, uma importante saída dada por um texto de Salmos, nos mostra que ele, o salmista, encontra a saída justamente olhando para onde mais se deveria ter medo: para o alto. É verdade que as nuvens anunciam a iminência da tempestade, mas, também, olhando para o alto, para os montes, o problema que nos é visível e tangível assume outras proporções, porque a postura que o salmista toma está justamente em enfrentar o problema, a tempestade.

Quando percebemos a importante lição aqui descrita, passamos a entender o quão preciosa é a chave que aqui podemos encontrar. Não foi à toa que Davi escreveu estas palavras, já que ela trata de uma constatação diante do problema. Repare bem: "Elevo os meus olhos aos montes, de onde vem o meu socorro?". Aqui, ele questiona a si para constatar que não há outra possibilidade senão olhar para o alto, encarar a dificuldade e fazer dos ventos tempestuosos um oportunidade de ir além de suas limitações, pois seu "socorro vem do Senhor" (Salmos 121:1).

Numa análise profunda, pode-se ver que ele, ao fazer este questionamento, por meio de uma pergunta retórica, analisa as situações que se desenham em seu redor. Não é algo apenas de impressão ou uma simples reação. Davi questiona-se e busca a verdade para obter a resposta. Fica claro aqui que ele usa seu entendimento, ele usa a razão, a ciência, racionalizando o problema visando sua solução (a adoração e culto racional submetidos a Deus).

Ao ver e analisar tudo, ele chega à conclusão de que nada adianta: fugir não adianta, deixar que algo aconteça não adianta, sucumbir não adianta. O que, verdadeiramente, é necessário vem do alto. Enfrentar de cara, olhando para o céu, para a fé que provém de Deus. Somente assim é que há o socorro. O vento forte não deve assustar àqueles que olham para o alto.

(continua)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Em Tua Presença...

O que diremos, pois, em vista de tantas coisas, parafraseando o apóstolo Paulo, que Deus tem feito em nossos dias, mostrando Seu amor incondicional pela humanidade! Infelizmente, muitos sequer conseguem enxergar esse amor tão grande, que nos faz suspirar, que nos faz esperar, que nos fortalece e nos leva a lugares mais altos.

Deus, com Seu amor, quer nos proteger de tantas tormentas! Mas, pela nossa teimosia, insistimos em fugir para que tenhamos a nossa autossuficiência inflada. E, para nosso desespero, somos confrontados por nossas atitudes, por nossos erros, recorrendo a Deus quando justamente não temos mais forças, quando tudo está perdido. E Ele, em Sua misericórdia e graça, olha para nossas vidas com amor e nos ajuda, nos fortalece e nos faz transpôr essas barreiras. 

É interessante observar que é justamente quando estamos na Presença de Deus, quando contamos com Sua graça e força que temos como seguir em frente. Não estou rejeitando a ciência e seus grandes avanços, contudo, vou muito além dele. Afinal, já vi casos em que a ciência não sugeria e nem dava mais esperança, pois suas expectativas, testes e demais afins já não tinham como explicar ou, ainda, já estavam esgotas todas as possibilidades. E, quando tudo isso se esgotou, Deus agiu de uma forma extraordinária! De fato, com os méritos científicos e tudo mais, o Homem conseguiu avançar muito em diversas questões que, antes, eram verdadeiras incógnitas. Mas, apesar disto, a ciência limita-se às suas variantes e, ainda, ao natural e humano.

Apesar disto, Deus nos faz ir muito além, caminhando em lugares cujo curso é determinado pelo sobrenatural. Ser fortalecido nos momentos em que a força já não brota, em situações em que a esperança não flui mais, em que os sonhos estão ruindo e que as expectativas estão frustradas. Caminhar e ser motivado mesmo que tudo ao redor, pelo olhar científico e humano estejam dizendo que não há mais recursos.

Quando estamos diante da presença de Deus, temos refúgio em meio à guerra e podemos descansar tranquilamente. É o que o salmista nos traz a perceber: "Em paz me deito e logo pego no sono, porque, SENHOR, só tu me fazes repousar seguro." (Salmos 4:8). E só conseguimos isso quando estamos na presença de Deus.

Quando a esperança e os sonhos esmorecem, quando a dura realidade da vida mostra sua face tenebrosa. Só podemos firmar nossos pés na Rocha quando estamos totalmente despidos de nosso ego. Quando declaramos nossa real necessidade e nosso maior anseio, porque "perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado", pois ele "salva os de espírito oprimido" (Salmos 34:18). Ele jamais nos desprezará se, verdadeiramente, chegarmos a Ele com humildade, com arrependimento quando erramos, com algo que, infelizmente, temos pouco visto: com integridade de coração (em outras palavras, sem máscaras, de maneira integral, inteira). O coração do Pai se enche de alegria quando fazemos isso... Ele se alegra de tal maneira!

Cristo, por meio de Seu sacrifício na cruz, encurtou nosso caminho ao Pai, mas, mesmo assim, insistimos em tentar prolongar esse caminho. Somos, como dito antes, autossuficientes, independentes. E, depois, ainda temos a pachorra de culpar a Deus pelas nossas próprias escolhas e pelos caminhos que insistimos em trilhar. Como podemos culpá-Lo se desprezamos tudo o que Ele fez?! Sim, pois quando insistimos em dar ouvidos ao nosso ego, é justamente o que temos feito. Porém, quando ouvimos Sua voz, somos protegidos por Sua presença e o mal das trevas não podem nos tocar.

Por isso, você que lê estas linhas, eu que as escrevo, temos uma coisa a fazer: simplesmente confiar a Deus nossos dias. Não há governo que possa nos assegurar nada, não há Homem algum que nos possa prometer coisas que sejam realmente necessárias para satisfazer as nossas principais necessidades. Somente Deus pode fazer isso conosco. Somente Deus pode suprir o vazio de nosso coração. E, diga-se de passagem, como este vazio está presente em nossos dias, vitimando famílias, recolhendo filhos ao recôndito das trevas! Nunca se ouviu falar tanto de depressões e outros males assolando a humanidade. E isso tudo é reflexo da rejeição humana pela presença de Deus.

Ele quer nos proteger das muitas águas que nos querem afundar, do fogo ardente que nos quer tragar e do mal das trevas que insiste em nos puxar para o abismo. Cristo nos convida para que nos escondamos à sombra de Suas asas, lugar onde temos proteção contra tudo o que nos queira fazer mal. As tempestades estão te assolando? O sangue de Cristo te protege de todo vendaval e tempestade. Não estou dizendo que, a partir de hoje, não teremos tribulações e problemas, ventos e vendavais a serem enfrentados. O que digo é que teremos abrigo para não sermos levados pelos tufões e tempestades, de forma que possamos ter abrigo seguro para lutarmos. Quando Deus é nosso escudo e canção, além de conseguirmos enfrentar as maiores dificuldades, somos recompensados com algo essencial à nossa existência: seu amor sem medida. Somos levados por Deus a lugares nunca antes desbravados, nunca antes vislumbrados pelos olhos humanos. Somos levados em Seus braços, pois, como Pai maravilhoso que Ele é, Ele nos conduz aos pastos verdejantes, como descreve o mais lembrado Salmo de Davi (Salmos 23). Mas, para que ele conseguisse chegar a estes pastos verdes, foi necessário renunciar à sua vontade, passar pelo vale árido (Vale da sombra da morte), passar por dificuldades. Contando com a presença de Deus, mil caíram de um lado e outros 10 mil à direita (Salmos 91). Isso é possível somente numa ocasião: quando estamos diante de Deus, no centro de Sua vontade.

Assim, um convite... Você está disposto a isso? A presença de Deus nos surpreende, pode ter certeza disto! Sou surpreendido a cada novo dia por este amor e cuidado sem igual, que me faz andar muito além do que eu teria forças para caminhar. E, na maioria das vezes, sou conduzido em Seus braços, pois minhas pernas nem sempre têm a força necessária para seguir em frente. Sou tão fraco e tão pequeno! E Deus, com Seu amor, graça e misericórdia faz com que eu avance, seguindo em frente. E, mesmo em meio ao deserto, Ele consegue contemplar meus anseios, minhas frustrações, meus medos, minhas angústias e me faz vencer cada um desses obstáculos. Não sou um super-homem, simplesmente confio Naquele que me amou primeiro, que mesmo antes de eu nascer, já sonhava comigo. Confio em Deus e sou agraciado por Sua presença em minha vida. Se estou inteiro, pode ter certeza de uma coisa... É porque Ele está comigo e porque sempre busco Sua presença. Você está disposto a isso? Só tenho uma coisa a dizer... Não há como se arrepender de confiar Nele, pois Ele nos surpreende nos mínimos detalhes (basta ficarmos atentos para ver e perceber Seu cuidado e amor sendo resplandecidos todas as manhãs).

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sede, fome, anseio...

É...
Faz tempo que não paro para postar algo por aqui, não é mesmo? Mas, apesar de não postar há tempos, tenho visto que esta prática está me fazendo muita falta. Assim... "Óia eu aqui 'tra vez".


Embora este espaço esteja mais dedicado a coisas mais técnicas, hoje quero falar sobre algo que, talvez, muitos não compreendam. Quero falar sobre o coração adorador.


Ultimamente, eu tenho ouvido composições singulares, que estão me levando, verdadeiramente, ao encontro de Deus nos mais diversos locais que tenho estado. No ônibus, metrô, trabalho, aonde quer que eu esteja, tenho sido tocado por Deus ao ouvir essas composições.


E, certo dia, dentro do "busão", ouvindo Hillsong Music Australia, uma das minhas bandas preferidas, parei e comecei a pensar em tantas coisas... Como pudemos, algum dia, nos afastar de Deus. A humanidade, com o pecado original, afastou-se de Seu Criador. Fico a imaginar o quão triste isso foi para Deus. Afinal, as expectativas eram tão grandes! Os sonhos de Deus para a vida do Homem eram tão maiores do que imaginamos! E, ainda, pensando nisto, como foi dolorido pra Deus saber que o Homem cairia no pecado.


Mas, apesar de tudo isto, foi tão bom ver o amor de Deus pela vida de cada um... Quando Deus envia Cristo para sofrer por nossos pecados, Ele ainda manifestou esse Amor sem medidas. E, ouvindo "Lord I give You my heart (Senhor, Dou-Te meu coração, ou, na versão brasileira, "Toma meu coração"), minh'alma começou a clamar a Deus, adorando-O, declarando isso com tudo o que sou. Como foi maravilhoso! Deus me envolveu de uma maneira, que era nítida Sua presença a me cercar.


Não estou, com isso, querendo declarar que sou melhor do que você... Muito pelo contrário, pois sou igual, talvez menor. O que quero dizer é que, não importa o local em que estejamos ou o que estejamos fazendo. Precisamos ter a noção daquilo que Deus tem para nos falar, dando ouvidos ao desejo de Seu coração. Como eu tenho sede, fome e anseio da presença de Deus! E quanto mais cresço, quanto mais eu ando, vejo que mais necessitado sou da Sua graça, do Seu amor, de Sua misericórdia, de Sua presença. E, nisto, há um paralelo que quero fazer... O filho, quando atinge a maturidade, sai de sua casa para formar família. E, em muitos casos, se distanciam de seus pais, esquecendo-se completamente de sua necessidade em estar perto do pai. Por sua vez, o pai está sempre pronto a receber este filho. E ainda que demore dias, meses, anos ou, talvez, décadas, esse pai estará sempre presente. Mas esse filho, ao perceber que precisa das orientações de seu pai, que possui maior experiência, retorna à casa que outrora habitava e é recebido por seu pai. E lá, na conversa, esse filho sabe... Seu pai ali está para o que for necessário. É a dependência. Ainda que estejamos maduros, cheios de nossas certezas, Deus está de braços abertos, nos esperando. E, quando vamos ao Seu encontro, Ele nos abraça e nos afaga, tal qual o pai e o filho pródigo. Depender. Essa é a chave da adoração. Dependemos e temos anseio por Aquele que nos amou primeiro. Tenho sede por servi-Lo aonde quer que eu esteja ou aonde quer que Ele queira que eu vá. Tenho sede de Sua presença a cada minuto de minha vida. Essa deve ser a consciência de cada um de nós.



terça-feira, 24 de maio de 2011

Classicismo - Luís Vaz de Camões

Introdução

A Idade Média passa a viver a dualidade das visões teocêntrica (ainda predominante até o Renascentismo) e antropocêntrica. Esse conflito propiciará grandes e profundas mudanças em Portugal. Até que, finalmente, o Renascimento traz as novas tendências do pensamento humano.
Essas tendências exaltarão a razão e serão manifestadas brilhantemente por Luís Vaz de Camões em suas obras, assim como outros escritores. Surge, neste cenário, o Classicismo.

Classicismo

Contexto Histórico

Grande foi a contribuição do Humanismo na história mundial. A partir do momento em que a visão teocêntrica passa a ser questionada pelo ideário humano, as questões ligadas ao pensamento, à filosofia e às ciências passam a alcançar grande destaque no cenário global. Ainda que no Humanismo a cisão antropocêntrica tenha sido contemporânea à visão teocêntrica, ambas se contrastaram e, mais tarde, geraram ao Homem uma nova forma de ver suas necessidades e suas maneiras de enxergar o mundo (perpetuando-se essa maneira até os dias de hoje).
O Classicismo surge num momento de grandes transformações. A cultura da época, muito influenciada pela Igreja, assistiu a momentos árduos de grande perseguição a diversas pessoas que não professavam a fé cristã. Mas as perseguições não se davam simplesmente a pessoas que não professavam tal fé. Muitos pensadores foram marginalizados pela visão imposta pela Santa Inquisição: a pesquisa à anatomia humana, por exemplo, fora proibida porque o corpo se tratava como morada divina, entendendo-se, pois, que ao homem não competia abrir e vasculhar o que quer que fosse, mesmo que para fins científicos (é interessante ressaltar que a Europa foi varrida por doenças, sobretudo a peste negra neste período).
Com as tendências antropocêntricas alcançando escalas mais notáveis, a Europa passa a viver um novo marco histórico. A ciência, a arte e a filosofia passam a ganhar o centro das questões e das ideias. Isso corroborou para a expansão marítima, que trouxe um momento glorioso a Portugal. Com essa nova realidade, as terras lusitanas encontram a ostentação da glória, pois Portugal passa a ser o coração ou a potência do mundo, uma vez que dominou a tecnologia para as viagens ultramarinas.
Passados alguns acontecimentos, dentre os quais, o “descobrimento” do Brasil, surge em Portugal, em 1527, o Classicismo, cujo maior nome é Camões. Esse movimento surge quando Sá de Miranda retorna a Portugal da Itália, e de lá traz as novas tendências estéticas da literatura: versos decassílabos, soneto, ode, écloga, elegia, epístola.

Luis Vaz de Camões

Camões é um dos maiores nomes da Literatura Portuguesa, sem nenhuma sombra de dúvida, porém sua história ainda é um grande mistério. Sabe-se muito pouco de sua história. Contudo, dois livros trazem um pouco da história desse grande escritor: Erros meus, má fortuna, amor ardente, escrito por Natália Corrêa, que traz a história do Camões homem, sua história (ou provável história); e Que farei com este livro? de José Saramago – trazendo a história de Camões sob uma perspectiva à luz da obra camoniana, estabelecendo uma relação entre a obra e o autor.

A Obra Camoniana – Os Lusíadas

Sem dúvidas, a maior obra de Camões foi Os Lusíadas, livro que narra as glórias portuguesas, tendo como herói Vasco da Gama. Esta obra é marcada, no ponto de vista linguístico, por versos decassílabos – versos compostos por dez sílabas poéticas – e um esquema de rima cujo padrão é ABABABCC.
O diferencial desta obra não se deu apenas por essas marcas e por contar as histórias gloriosas de Portugal. O que torna essa obra tão intrigante é a forma como Camões mostra essa história. Tendo como base a literatura clássica, o célebre autor faz uso de figuras míticas, mas não se atém em apenas repetir ou copiar, como muitos autores da época fizeram. Camões traz essas figuras míticas com as características lusitanas (as ninfas do Tejo).
Além disso, Camões traz, em Os Lusíadas, outra curiosidade: a dualidade entre a lírica e a épica camoniana. Ele conseguiu, como poucos, essa marca. Ele consegue trazer a lírica por meio dos padrões de rimas, pela organização das estrofes. Quanto à épica, Camões escreveu um épico: o herói, Vasco da Gama, luta com as figuras míticas de Portugal, enfrenta os medos e, por fim, encontra regozijo e glória, a glória portuguesa.

A lírica camoniana

Camões escreveu sua obra lírica em duas formas: com o uso da medida nova e com o uso da medida velha. Contudo, o que mais se evidenciou foi o uso de sonetos, de maneira que esta é a forma mais difundida de sua obra (é aqui que se observa o ponto mais alto da obra camoniana).
É por meio da lírica camoniana que se observa o amor platônico, tão bem expresso por Camões, sendo este um reflexo de sua vida em suas obras (lembrando da grande influência das obras clássicas sobre a lírica e a épica camoniana). Contudo, esse platonismo ainda está controlado sob a ótica aristotélica, ou seja, sob a ótica racionalizada desse amor (neoplatonismo). Esse amor não está no campo sentimental, mas sim no campo das ideias. O amor não correspondido causa a frustração amorosa. Veja:

Dai-me a Lei, Senhora, de querer-vos
Que a guarde, sob pena de enojar-vos
Que a fé que me obriga a tanto amar-vos
Fará que fique em lei de obedecer-vos.

Tudo me defendei, senão só ver-vos
E dentro na minha alma contemplar-vos;
Que, se assim não chegar a contemplar-vos;
Ao menos que não chegue a aborrecer-vos.

E, se essa condição cruel e esquiva
Que me deis lei de vida não consente,
Daí-ma, Senhora, já, seja de morte.

Se nem essa me dais, é bem que viva,
Sem saber como vivo tristemente,
Mas contente porém de minha sorte.
(Editora COC, 2009)

No excerto acima é possível se perceber essa frustração do poeta.
A frustração da expressão amorosa, no lirismo camoniano, também inclui o lamento do amor perdido em circunstâncias trágicas da vida. Dessa forma, a morte será outro elemento muitas vezes associado à figura da mulher amada. Uma das lendas construídas em torno de Camões consagrou a versão, segundo a qual boa parte dos poemas líricos, com referências à morte, foi inspirada em um episódio verdadeiro da vida do poeta, que teria, que teria perdido a amada Dinamene em um naufrágio na China.
(Editora COC, 2009)

Ah! minha DInamene! assim deixaste
Quem nunca deixara nunca de querer-te!
Ah! Ninfa minha, já não posso ver-te
Tão asinha esta vida desprezaste!

Como já para sempre te apartaste
De quem tão longe estava de perder-te?
Puderam estas ondas defender-te
Que não visses quem tanto magoaste?
(Editora COC, 2009)

Apesar de seus sentimentos serem mostrados e demonstrados por sua lírica, não se pode afirmar categoricamente que essa lírica tenha as mesmas características observadas no Romantismo. Isso ocorre porque o Romantismo é um movimento cujo foco está no egocentrismo, ao contrário do que ocorre no Classicismo, cujo foco está na razão, no conhecimento, na racionalidade.


Épica camoniana

Basicamente, Os Lusíadas é a obra que traz o épico ao rol de Camões. Nesta obra, Camões elege Vasco da Gama como herói de sua obra, exaltando sua coragem e inteligência nos momentos mais fortes e necessários da obra. Vasco, por sua vez, é um símbolo, pois representa o povo português (até porque a obra traz as glórias de Portugal). E, nessa representação, Camões traz as conquistas do império lusitano, conseguidos pelo domínio da tecnologia ultramarina. Ainda é importantíssimo ressaltar que Os Lusíadas mostra o plano terreno e o plano mítico:

                       I.      Plano terreno
O plano terreno é mostrado pelas viagens feitas por este herói. Todos os percalços e todos os relatos históricos são delineados nas linhas de Os Lusíadas. A obra é baseada em contextos históricos reais, ou seja, Camões se utiliza de episódios reais para desenrolar toda a narrativa épica.

                      II.      Plano mítico
Neste plano, Camões enfoca os deuses do Olimpo e até que ponto sua interferência poderia ser preocupante ou não no sucesso dos empreendimentos dos portugueses.
Mas, de uma certa maneira, Camões consegue superar os limites impostos pela literatura clássica, emulando-a e extrapolando-a, pois é criador de figuras míticas portuguesas, como é o caso das ninfas do Tejo.

Como em todo épico, a célebre autor lusitano divide a obra (composta por 8116 versos decassílabos) em:

Proposição na qual Camões revela suas aspirações e propósitos, além do quê irá tratar na obra;
Invocação – nesta parte, há o pedido de ajuda e inspiração para as ninfas do Tejo (Tágides);
Narração – é a história da viagem, com todos os desafios enfrentados pelo herói;
Epílogo – aqui é possível ver o sentimento do autor perante toda a viagem e o cenário futuro, no qual, Camões, prediz o futuro tenebroso de Portugal, exortando a D. Sebastião a continuar com a expansão marítima, de sorte que as glórias de Portugal continuem a crescer.

Episódios

São quatro os mais importantes da obra (e talvez os mais conhecidos):
                       I.      Inês de Castro
Neste episódio, há a triste história de amor entre Inês e D. Pedro. Ele, príncipe, ela, sua amante. Considerando a origem de Inês, o Rei D. Afonso IV manda que matem Inês.
Este episódio é narrado por Vasco da Gama ao rei de Melinde.

                      II.      Velho do Restelo
O Velho do Restelo é um episódio um tanto intrigante. Neste episódio, um velho chega à praia de onde Vasco da Gama está saindo, ainda em Portugal, no qual há uma certa preocupação com o que vai acontecer e com os reais objetivos dessa viagem.
Segundo Massaud Moisés, neste trecho, é possível se ver a voz de Camões. É como se a voz desse velho fosse a voz do autor, pedindo cautela nessa jornada cheia de perigos.

                    III.      Gigante Adamastor
É um dos episódios mais marcantes, no qual, o Gigante, é transformado numa longa parede de pedra por amar uma figura mítica. Neste trecho se percebe o platonismo existente em Os Lusíadas. E, metaforicamente, mostra a coragem do povo português em desbravar as mais tenebrosas e complexas situações, superando os obstáculos marítimos.

                    IV.      Ilha dos Amores
É a premiação por tantos empreendimentos e lutas. Depois de episódios em que se colocou a vida em risco por amor à pátria, há a recompensa suprema do herói. O prêmio: uma ilha repleta de ninfas belíssimas, um presente dos deuses pela coragem.

Considerações finais

Grandes são os feitos desse momento na literatura. O Renascentismo traz consigo novas maneiras de se enxergar a vida. Novas expectativas e nova visão permeiam o ideário do povo português, de sorte que isso se refletirá no campo cultural, sociológico e cultural.
Camões, um dos grandes gênios da literatura mundial, fez com que a língua portuguesa alcançasse patamares nunca antes visto. Em Os Lusíadas, sua maneira ímpar de escrever mostrou ao mundo as glórias e o orgulho de Portugal. Ele, como poucos, conseguiu trazer uma dualidade poética entre o lirismo poético e o épico, o que se observa em sua maior e mais difundida obra.
O lirismo camoniano ainda é bem diferente da lírica a que estamos acostumados, em que é possível se observar o ego, característica que somente será fundamentada no Romantismo. Esse lirismo é, sem sombra de dúvidas, racionalizado e consistente, de sorte que nenhum outro autor conseguiu repetir isso. Quanto à épica, não sobram mais adjetivos para descrever como ele o fez, não apenas copiando, mas inovando sempre (a saber, a criação de figuras míticas, por exemplo).
Em resumo, a obra camoniana ainda, por mais estudos que se tenha registro, será sempre um mistério a ser desvendado por aqueles que verdadeiramente primam por sua forma de escrever; e uma coisa é certa: ainda há mais mistérios nas obras camonianas do que nossas vãs filosofias podem presumir (parafraseando William Shakespeare).


Bibliografia

Editora COC. (2009). Língua Portuguesa 3 - Literatura Colonial. Ribeirão Preto: COC.

Moisés, M. (2006). A Literatura Portuguesa (34ª ed. ed.). São Paulo: Cultrix.

Moisés, M. (1972). A Literatura Portuguesa Através dos Textos (5ª ed.). São Paulo: Cultrix.




Humanismo e o Teatro de Gil Vicente

Introdução

A Idade Média passa a viver a dualidade das visões teocêntrica (ainda predominante até o Renascentismo) e antropocêntrica. Esse conflito propiciará grandes e profundas mudanças em Portugal.
O teatro de Gil Vicente trará mais do que narrativas simples, mas mostrará essa dualidade vivenciada pelos portugueses dessa época. Ele, por sua vez, evidencia alguns questionamentos que faz, colocando em xeque muitas das idéias defendidas até então pela cultura da época. É o surgimento da visão humana, na qual o Homem passa a ser o centro. Em outras palavras, o Humanismo.

Humanismo

O início do Humanismo se dá quando Fernão Lopes é nomeado Guarda-Mor da Torre do Tombo em 1418, por D. Duarte. Portugal, como as demais localidades da época, passa a viver intensas mudanças culturais, além das sociais.
Historicamente, o Humanismo se vê rodeado pela Revolução Popular (1383), quando D. Fernando morre e sua mulher, D. Leonor Teles, instaura um governo dúbio, no qual tenta fazer de Portugal um reino dirigido pela coroa espanhola. Ela, assim, mancomuna-se com o Conde Andeiro nessa tentativa de integrar Portugal à coroa espanhola, mas isso fracassa, pois os portugueses, liderados pelo Mestre de Avis, rebelam-se contra a rainha. Depois de dois anos, a revolução termina e o Mestre de Avis se apodera do trono. Tem aí o início da dinastia Avis em Portugal, tornando-se Mestre Avis em D. Pedro I.
Portugal experimenta, assim, as benesses de ter um rei culto, empreendedor, determinado, e, com isso, uma profunda renovação cultural no país.
Graças a esse cenário, os lusitanos passam a viver processos mais humanizados da cultura; em outras palavras, surge a visão antropocêntrica, que será contrastada à visão predominante à época (a visão teocêntrica).

É certo que a visão teocêntrica de vida, isto é, tendo Deus como escala de valores, continua vigente, mas já começam a despontar atitudes contraditórias diretamente centradas no homem. Contribui para isso a euforia provocada pelas descobertas e pelas conquistas ultramarinas, iniciadas com a tomada de Ceuta em 1415 e só terminadas no século seguinte.
(Moisés, A Literatura Portuguesa, 2006)

Esta atitude de pôr o homem no centro será de grande valor aos movimentos vindouros, mas, no Humanismo, será de grande contribuição às críticas de Gil Vicente, pois ele colocará as ideias contidas no ideário e cultura portugueses pontos conflitantes, de sorte que trará, ao menos, alguns questionamentos sobre os regimes da época.

Gil Vicente

Não se sabe com exatidão as datas de nascimento e morte de Gil Vicente; assim, presume-se que o autor e dramaturgo português tenha nascido entre 1465 e 1466 e morrido entre os anos de 1536 e 1540. Pouco se sabe sobre sua vida, mas o que se tem registro é que tenha sido funcionário da Coroa.
Escreveu diversas obras, dentre as mais populares, a Trilogia das Barcas, traz sua obra mais difundida nos estudos literários brasileiros: O Auto da Barca do Inferno.
Mesmo sendo cristão, não se deteve em mostrar pontos que considerava negativos, muitas vezes satirizando-os ou simplesmente criticando-os.

O Teatro Popular de Gil Vicente

Antes de tudo, para se falar em teatro popular, algo deve ser bem elucidado. Quando se fala em teatro popular, vem-nos à mente a ideia de que seja um teatro aberto ao público, no qual todos podem ter acesso. Mas essa premissa deve ser revogada, pois, mesmo nos dias de hoje, o teatro ainda é muito elitizado. Ao se tratar do Tetro Popular de Gil Vicente, deve-se saber que esse popular se deu não pela assistência do público, mas sim pela temática existente nas narrativas/peças teatrais; a linguagem, assim como os aspectos temáticos, trazia algo mais popular, embora as peças fossem apresentadas à corte portuguesa.
Como o tema era via condutora do teatro popular, Gil Vicente inova com seu conteúdo. Ele passa, por meio do riso, a trazer as mazelas sociais vividas por seus patrícios, como forma de criticar. Ele, mesmo sendo freqüentador da corte, conseguiu perceber tais problemas, evidenciando-os. Com isso, ele demonstrou de forma impressionante a sociedade de seu tempo, sempre com uma atitude crítica muito bem delineada.
Engana-se quem pensa que Gil Vicente detinha-se em apenas colocar como alvo de suas críticas as mazelas sociais vividas pelos portugueses. Ele ainda inseria em suas obras aspectos religiosos que ele enxergava como negativos. Suas críticas iam desde o frade até o papa se fosse necessário, demonstrando, desta maneira, sua veia crítica. Denunciou diversos acontecimentos, como a venda de indulgências e o exagero místico por parte dos religiosos (tanto dos clérigos como do público).
Outro importante fator que não se deve deixar passar desapercebidamente é que o autor não usa personagens como estamos todos acostumados – personagens com nomes e identidades muito bem demarcadas –, mas sim tipos, ou seja, faz uso de personagens que se enquadram em determinadas classes (gerando, com isso, crítica às classes sociais muito bem demarcadas à época – pobres e ricos).
A alegoria também é marca de Gil Vicente, não apenas com o uso de personagens que, metaforicamente, representam as classes/tipos de pessoas, mas pelo conjunto da obra. Em O Auto da Barca do Inferno, por exemplo, podemos perceber a alegoria por meio do enredo, no qual, a alegoria, é o Juízo Final. No aspecto mais particular do teatro, isto é, olhando as personagens, podemos ver as entidades que representam, como a Igreja, os valores sociais e culturais, entre outros aspectos.

Conclusão

Verifica-se, com o teatro de Gil Vicente, uma profunda mudança no ideário e nas visões existentes, que, neste momento, estão em conflito. Este conflito, muito bem trazido por Gil Vicente, gerará grandes e profundas reflexões acerca de diversas questões levantadas pelo autor (reflexões estas que, mais tarde, fortalecerão a visão antropocêntrica, que, a partir do Renascentismo, se perpetuará como visão-base de muitas culturas ao redor do mundo).

Bibliografia

Editora COC. (2009). Língua Portuguesa 3 - Literatura Colonial. Ribeirão Preto: COC.

Moisés, M. (2006). A Literatura Portuguesa (34ª ed. ed.). São Paulo: Cultrix.

Moisés, M. (1972). A Literatura Portuguesa Através dos Textos (5ª ed.). São Paulo: Cultrix.



TROVADORISMO

Introdução

A Idade Média é um dos períodos históricos mais interessantes de que se tem registro. Encontram-se nela os registros da Europa medieval, e que marcaram grandemente a história da civilização humana. Registros instigantes e controversos, como o período em que a Igreja proibia, com grande vigor, os estudos de anatomia (e, também, de pensamento, daí originando um “apelido” a este período de Idade das Trevas).
É na Idade Média que as primeiras manifestações literárias em língua portuguesa começam a ocorrer. Nessas manifestações, ainda num português mais arcaico e sob a influência do galego-português (dada a união ainda existente de Portugal e Galiza), é que se reproduz a literatura trovadoresca (cujo surgimento literário se dá em 1189 ou 1198, quando Paio Soares de Taveirós escreve a Cantiga da Garvaia, dedicando-a a Maria Pais Ribeiro).

Trovadorismo

As primeiras décadas desta época transcorrem durante a guerra da reconquista do solo português ainda em parte sob domínio mouro, cujo derradeiro ato se desenrola em 1249, quando Afonso III se apodera de Albufeira, Faro, Loulé, Aljezur e Porches, no extremo sul do País, batendo definitivamente os últimos baluartes sarracenos em Portugual. […] a atividade literária beneficiou-se de condições propícias e pôde desenvolver-se normalmente. Cessada a contingência bélica, observa-se o recrudescimento das manifestações sociais típicas dos períodos de paz e tranquilidade ociosa, entre as quais a literatura.
(Moisés, A Literatura Portuguesa, 2006)

O trecho acima, retirado de A Literatura Portuguesa, mostra-nos um pouco do que aconteceu em Portugal nos primórdios de sua literatura. Esse período, marcado pelas Cruzadas da Idade Média, trouxe características, no mínimo, interessantes à literatura lusitana, com grande teor lírico que, ao longo dos anos, toma forma e espalhado-se por todo o território, trazendo, além do lirismo, o saudosismo português – de maneira mais consolidada futuramente (muito observado no Classicismo por Camões, sendo este, de certa maneira, alvo de crítica pelo autor em Os Lusíadas). Mas erra quem pensar que as manifestações literárias se iniciam somente com o passar da guerra, pois mesmo antes é possível se ver as manifestações literárias.
Esse movimento literário é um tanto complexo, embora sua estrutura poética e formal seja simples. Essa complexidade se dá, por exemplo, porque se admitem quatro possíveis causas de surgimento do movimento (Moisés, A Literatura Portuguesa, 2006), são o que Massaud chama de quatro teses fundamentais: 1. tese arábica – essa tese considera a raiz dessa escola literária a cultura arábica; 2. tese folclórica – segundo esse pensamento, o Trovadorismo teria sido criado pelo povo, sendo sua manifestação cultural; 3. tese médio-latinista – Segundo essa teoria, o Trovadorismo teria surgido das manifestações literárias e cultura latinas da Idade Média; e 4. tese litúrgica – que prega que essa escola tenha surgido das poesias litúrgico-cristãs. Assim, segundo Massaud, faz-se necessário apoiar-se em todas essas teses para melhor explicar o surgimento do Trovadorismo em Portugal. Contudo, o que se sabe com exatidão, é que essa manifestação “lítero-cultural” é proveniente das poesias medievais.
Presume-se, assim, que esta escola literária teria surgido em Provença (tese mais bem sustentada), uma região da França. No século XI, essa região tem grande atividade lírica. Com o advento das Cruzadas, muitos teriam ido à região de Lisboa para embarcar com destino a Jerusalém. Como consequência, muitos desses poetas teriam introduzido a nova forma poética em solo português.

O Trovadorismo em Portugal

Não se sabe precisamente se a datação tem início em 1198 ou 1189, isso porque seriam as datas presumíveis da publicação da canção A Ribeirinha ou Cantiga de Garvaia – Cantiga de Amor escrita por Paio Soares de Taveirós. Essa Cantiga de Amor fora dedicada a Maria Pais Ribeiro. O movimento finda-se somente dois séculos depois, quando Fernão Lopes é nomeado guarda-mor da Torre do Tombo, inaugurando, assim, o Humanismo (1418).
A poesia trovadoresca se divide em cantigas, que podem ser: de Amor, de Escárnio, de Amigo e de Mal-dizer. É importante frisar que ainda não há uma identidade portuguesa bem estabelecida, isso porque ainda há, ao menos nos primórdios, o domínio mouro em uma parte territorial de do País (objeto da luta dita no trecho inicial retirado do livro de Massaud). Com o tempo, a literatura vai se consolidando e isso faz com que a identidade portuguesa cresça, gerando a maturidade literária que hoje conhecemos. Graças a isso, pode-se observar, no Trovadorismo português, o galego-português, em virtude da unidade lingüística entre Portugal e Galiza.

A poesia trovadoresca e suas características

A poesia trovadoresca tem íntima relação com a música, já que era acompanhada sempre por instrumentos como alaúde, viola e flauta – ou, ainda, simplesmente cantada quando não havia instrumentos acompanhando o trovador.
Essa poesia se divide basicamente em dois grupos: lírico e satírico. Quando se pensa em composição trovadoresca lírica, automaticamente deve vir à mente as cantigas de Amigo e de Amor; já quando essa poesia é satírica, deve-se lembrar das cantigas de Escárnio e Maldizer.

                      I.      Cantigas de Amor

As cantigas de Amor tematiza a confissão amorosa do homem em relação a uma mulher, geralmente lamentando o seu sofrimento de amor (coita) diante da indiferença da mesma (Editora COC, 2009). Com isso, pode-se afirmar que o eu-lírico é masculino. Essa relação estabelecida entre a amada e o eu-lírico caracterizam o amor cortês (que nada mais é do que o amor ditado pelas regras sociais e culturais da época, respeitando os costumes e jamais dando o real nome da amada – para isso, o trovador utilizava pseudônimos para que a identidade da amada fosse resguardada), ainda havendo uma idealização platônica desta mulher. Ela é endeusada por este homem, que se põe num patamar bem inferior ao dela. Poderemos, ao longo da literatura, enxergar isso claramente noutros movimentos literários, principalmente os que se ligam aos sentimentos humanos.
Essas cantigas traziam nas suas entrelinhas o que comumente chamamos de amor platônico, aquele em que o homem se põe num patamar inferior ao de sua amada, tornando-a inalcançável a ele. E é justamente isso que encontramos nas Cantigas de Amor. Veja:

A dona que eu am’e tenho por senhor
Amostrade-me-a Deus, se vos en prazer for
      se non dade-me-a morte

A que tenh’eu por lume dêstes olhos meus
e por que choram sempre amostrade-me-a ver,
      se non dade-me-a morte.

Essa que Vós fizestes melhor parecer
de quantas sei, ai Deus, fazede-me-a ver
      se non dade-me-a morte.

Ai Deus, que me-a fizestes mais Ca mim amar,
mostrade-me-a u possa com ela falar
      se non dade-me-a morte
(Bernal de Bonaval, in Massaud Moisés, A Literatura Portuguesa através dos Textos, p. 423)




                    II.      Cantigas de Amigo

Ao contrário das cantigas de amor, as Cantigas de Amigo não tratam do sofrimento do homem, mas sim da mulher; é o outro lado da relação amorosa: o fulcro do poema agora é representado pelo sofrimento amoroso da mulher, via de regra pertencente às classes populares (pastoras, camponesas, etc.) - (Moisés, A Literatura Portuguesa, 2006). Essas cantigas trazem consigo a dor e o desgosto (como muito bem ressalta Massaud Moisés) do amar e ser abandonada. Devemos lembrar que estamos na Idade Média, época em que Portugal (e outras nações) estão vivendo o período das Cruzadas, e em particular, o povo lusitano também está em luta por parte de seu território, daí a dor do amar e ser abandonada, pois elas perdem seus homens para a guerra.
O drama vivenciado por essa mulher é trazido pelo trovador, ou seja, pelo homem, observando-se que: 1) pode ser ele precisamente o homem com quem a moça vive sua história (neste caso, o trovador conhece a sua dor de forma íntima, é quem melhor conhece sua dor); 2) por ser a jovem analfabeta, como acontecia mesmo às fidalgas - (Moisés, A Literatura Portuguesa, 2006).
É possível perceber que o trovador vive o que se chama de dualidade amorosa, podendo extrair autenticamente os dois tipos observados na experiência passional (lembrando que sempre será trazido em primeira pessoa – singular ou plural). Assim, ele se expressa como agente amoroso que padecerá pelo amor não correspondido (incorrespondência), e como se esse trovador fosse tomado pela personificação dessa mulher, de maneira que passa a fazer suas falas, mostrando como essa mulher se apaixona por ele desgraçadamente. O interessante nessa ambigüidade é que não existia antes do Trovadorismo e jamais se repetiu depois.
Percebe-se com tudo isso, que a voz feminina se ergue, confessando sua dor à mãe, às amigas, aos pássaros, aos arvoredos, e o conteúdo dessa confissão se dá pela incompreensão dessa paixão (ou, ainda, pela intransitividade dessa paixão). Com isso, podem-se verificar alguns pontos divergentes dentro desse universo das Cantigas líricas: as cantigas de amor são mais idealistas, e as de amigo são mais realistas; o homem é mais D. Juan nas cantigas de amigo, enquanto que nas cantigas de amor ele se mostra mais passional e mais aberto ao que sente em relação à sua amada (é como se ele não fosse um conquistador, mas como se ele quisesse viver essa paixão); quanto à estrutura textual, as cantigas de amor tem feições mais analíticas e discursivas, enquanto as de amigo, por sua vez, traz um caráter mais narrativo e descritivo. Apesar disso, um ponto é comum em ambos: o platonismo.

– Ai flôres, ai, flôres do verde pino,
Se sabedes novas do meu amigo?
               Ai, Deus, e u é?

Ai flôres, ai, flôres do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
               Ai, Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel  que mentiu do pôs comigo?
               Ai, Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi á jurado?
               Ai, Deus, e u é?

– Vós me perguntades pelo voss’amigo?
E eu bem vos digo que é san’e vivo:
               Ai, Deus, e u é?

(J. J. Nunes, in Massaud Moisés, A Literatura Portuguesa através dos textos, p. 26)




                   III.      Cantigas de Escárnio e de Maldizer

As Cantigas de Escárnio e de Maldizer são bem diferentes das cantigas líricas. Como os próprios nomes sugerem, elas dão a ideia de sátira, piadas, escárnio, construindo-se por meio da ironia, do sarcasmo, usando palavras com duplo sentido, podendo conter algo direto (palavras e/ou ideias). Um bom exemplo, somente para ilustrar (e aproximar como seriam as cantigas de escárnio e de maldizer – e, se fossem reproduzidas com fundo musical, até poderia se transformar em trovas), embora não o façam na forma de cantigas, é o humorístico Casseta & Planeta (Rede Globo de televisão), que satirizava (às vezes de maneira bem direta) a política e acontecimentos do mundo.
Contudo, enganam-se os que pensam que essas cantigas são idênticas. Há uma distinção entre elas. As Cantigas de Escárnio são construídas de maneira indireta, com uso de ironia, um toque de sarcasmo, ou seja, um tanto maqueada; diferentemente das Cantigas de Maldizer, que trazem em suas linhas um conteúdo direto, descobertante, “tocando na ferida”.
Quanto à linguagem, nessas cantigas se podem observar o uso de um vocabulário mais torpe, havendo palavras de baixo-calão. Era uma poesia entendida como “maldita”, descambando para a pornografia ou o mau gosto, como bem cita Massaud.
Essa forma de escrever documenta alguns dos costumes e dos meios populares da Idade Média, como um flagrante de uma reportagem viva.

A Idade Média

Marcada por uma série de considerações preconceituosas, a Idade Média compreende o período que parte da queda do Império Romano, até o surgimento do movimento renascentista. Longe de ser a chamada “idade das trevas”, esse período histórico possui uma diversidade que não se encerra no predomínio das concepções religiosas em detrimento da busca pelo conhecimento. É durante o período medieval que se estabelece a complexa fusão de valores culturais romanos e germânicos. Ao mesmo tempo, é nesse período que vemos a formação do Império Bizantino, da expansão dos árabes e o surgimento das primeiras universidades.
(por Rainer Souza, in: http://www.brasilescola.com/historiag/idade-media.htm)

A Idade Média é um dos períodos históricos mais conturbados que já se ouviu falar. Ela é marcada por muitas e intensas batalhas, conhecidas como Cruzadas. Além disso, é nesse período da História que há o feudalismo, a inquisição, entre outros grandes marcos da história mundial.

As Cruzadas

Entre 1096 e 1270, pelo comando da Igreja, muitas expedições são enviadas a Jerusalém, que se encontrava dominada pelos turcos seldjúcitas. Essas expedições tinham fim a retomada de Jerusalém para reunificar o mundo cristão, dividido, devido a esse domínio, pelo Cisma do Oriente.
Jerusalém vive um momento conturbado, pois, antes, com o domínio árabe (anterior ao dos turcos), os cristãos tinham a entrada livre na cidade. Porém, quando os turcos seldjúcitas tomam a Cidade-santa, os cristãos passam a ser proibidos de entrar nela. Isso ocorreu porque esses turcos eram convertidos ao islamismo.
Dado esse cenário, em 1095, o papa Urbano II convoca algumas expedições com o intuito de retomar Jerusalém, tendo início, mais tarde, as Cruzadas, que recebe este nome porque os cruzados (guerreiros que foram à batalha) levavam consigo o símbolo do cristianismo, a cruz, estampada em suas vestimentas.
Mas se engana quem pensa que a motivação era apenas religiosa. Como a Europa experimentava um momento de crescimento, os senhores feudais passaram a se interessar pela expansão territorial, de maneira que eles ganhariam com isso; lembrando que a Europa, neste episódio, já vive um processo mercantilista.

A Igreja não era a única interessada no êxito dessas expedições: a nobreza feudal tinha interesse na conquista de novas terras; cidades mercantilistas como Veneza e Gênova deslumbravam com a possibilidade de ampliar seus negócios até o Oriente e todos estavam interessados nas especiarias orientais, pelo seu alto valor, como: pimenta-do-reino, cravo, noz-moscada, canela e outros. Movidas pela fé e pela ambição, entre os séculos XI e XIII, partiram para o Oriente [e iniciaram as cruzadas, que foram, ao todo,] oito Cruzadas.

Com esse ritmo, muitos passaram por Lisboa e, com isso, contribuíram para a Literatura e outras manifestações artístico-culturais da região.

As consequências das Cruzadas

Como qualquer ação gera uma reação (um dos princípios básicos observados pela ciência, e muito disseminados pela química e física), os fatos históricos também geram suas consequências. As Cruzadas, ainda que motivadas por interesses financeiros – lembrando que a ideia de financeiro não se limita ao dinheiro, mas ao domínio –, darão uma grande contribuição à história mundial.
Num primeiro momento, os Cruzados conseguem retomar o domínio de Jerusalém, porém, devido às sucessivas batalhas, esse domínio se torna temporário. Mas, apesar disso, os sucessivos saques promovidos no Oriente darão sua contribuição à Europa, pois isso permitiu que uma grande quantidade de moeda entrasse no regime feudal, propiciando aos comerciantes a criação de companhias de comércio (ainda num ritmo de mercantilização inical, bem diferente do que estamos habituados em nossos dias). Além desse processo mercantil, o regime feudal passa a entrar em colapso, sendo, mais tarde, transformado.


Os senhores feudais, interessados pelas mercadorias que vinham do mundo oriental, reorganizaram o modelo de produção de suas terras buscando excedentes que pudessem sustentar esse novo padrão de consumo. Além disso, a estrutura rígida do sistema servil cedeu espaço para o arrendamento de terras e a saída de servos atraídos pelo novo modo de vida existente nos espaços urbanos revitalizados. Assim, o feudalismo dava os primeiros indícios de sua crise.
(por: Rainer Souza, in: http://www.brasilescola.com/historiag/cruzada-movimentos.htm)


Dadas essas novas circunstâncias, o processo de mercantilização cresce, bem como todo o pensamento da época. Outra grande contribuição foi a ampliação da tecnologia marítima (que, por um momento muito expressivo na história mundial, deu a Portugal as ferramentas para a descoberta do Brasil e da rota às Índias).

Conclusão

De acordo com o que se observou ao longo deste trabalho monográfico, percebeu-se, além de tudo, a grande contribuição dada pelas Cruzadas à Literatura Portuguesa, que, dentre as teses de sua sustentação, dita que o seu surgimento se dá neste processo, uma vez que o Trovadorismo tenha sido originado de Provença (França) e, mais tarde, tenha se disseminado pela situação vivida pela Europa.
É importante lembrar que essa estrutura literária cresceu, amadurecendo em Portugal de maneira que, mais tarde, com o intuito de não se perder tais registros, os trovadores passam a escrever suas composições, dando, desta maneira, a forma concreta à literatura.

Bibliografia

Editora COC. (2009). Língua Portuguesa 3 - Literatura Colonial. Ribeirão Preto: COC.

Júnior, D. (s.d.). Brasil Escola. Acesso em 09 de abril de 2011, disponível em Brasil Escola: http://www.brasilescola.com/historiag/cruzadas.htm

Moisés, M. (2006). A Literatura Portuguesa (34ª ed. ed.). São Paulo: Cultrix.

Moisés, M. (1972). A Literatura Portuguesa Através dos Textos (5ª ed.). São Paulo: Cultrix.

Souza, R. (s.d.). Brasil Escola. Acesso em 09 de abril de 2011, disponível em Brasil Escola: http://www.brasilescola.com/historiag/cruzada-movimentos.htm